" DOENTE GOVERNAMENTAL "
Naqueles recantos esquecidos pela nação, Onde a miséria não é fase, é condenação, O prato vazio já não causa indignação, É rotina cruel gravada no coração. Enquanto poucos vivem na fartura e ostentação, Há quem implore por migalhas de pão, Luxo de um lado, do outro a humilhação, E a fome grita mais alto que qualquer razão. O fogão virou enfeite, símbolo da negação, Panelas vazias ecoam como acusação, Não há milagre, não há solução, Só o estômago doendo em repetição. Crianças choram sem entender a própria dor, Mães se quebram sem poder ser o protetor, É desespero estampado sem pudor, É a vida sendo esmagada sem valor. E o povo se vira com o que pode encontrar, Resto da terra ou alguém pra ajudar, Enquanto milhões aprendem a jejuar, Um governo cego escolhe ignorar. E EU GRITO: ISSO NÃO É NORMAL! É DESCASO, É CRIME SOCIAL! UM SISTEMA DOENTE, FRIO E DESLEAL, QUE MATA EM SILÊNCIO — E ACHA ISSO NATURAL!