" SILÊNCIO QUE GRITA "
Nas paredes que guardam aquele silêncio abafado,
Ecoam vozes num choro calado,
Passos contidos, olhar desviado,
Um lar que era para ser paz, virou lugar machucado.
Na rua, o medo dita o passo apressado,
Olhos atentos, caminho vigiado,
Um corpo que segue sempre ameaçado,
Ser mulher vira um risco declarado.
Dentro de casa, o ciclo é fechado,
O grito se perde no ar sufocado,
Mãos que ferem, amor distorcido e errado,
Um sofrimento que segue calado.
Há marcas profundas de abuso velado,
Um toque forçado, um direito negado,
Silêncio imposto, respeito roubado,
Um trauma que cresce, jamais apagado.
Na sociedade, o olhar é enviesado,
Julga a vítima, inocenta o culpado,
Covardia veste um rosto disfarçado,
E o erro insiste em ser ignorado.
São tantas vidas com fim antecipado,
Tantos sonhos no tempo apagado,
Nomes que viram número gelado,
Um mundo que falha em ter protegido.
Mas nasce a força em cada voz levantada,
Cada passo refaz a estrada,
Mulher que resiste não vive calada,
Transforma dor em esperança renovada.
Denuncie o abuso, rompa o medo calado,
Coragem transforma o destino traçado,
Não se cale diante do erro instalado,
Sua voz é justiça contra o mal praticado.
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